A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, sexta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, sechster Deel

Uma análise do grafema para o fonema – En Analisë fom Grafem zum Fonem

Para finalizar (a princípio) a descrição da minha ortografia, vou apresentar aqui cada letra, dígrafo, trígrafo, etc. e suas formas de pronúncia. Isso incluirá uma revisão do que foi visto nas partes anteriores, além de informações novas:

A: 1. /a/:
1.1 em sílabas átonas: Amesch, eenfach, Gafangjott, Amigo;
1.2 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita): hatt hart, nass, wall, Katz, basse;
1.3 nas palavras was, das, ab, fa.
2. /aː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante (escrita): Cha, Matërial, problëmatisch.

Ä: 1. /ɛ/ em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): gäll, stärrker
2. /ɛː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante (escrita): där
3. /ɛ/ ou /ɛɪ̯/ quando seguido de <er(C)>: häer, läer, Schäer, Äerd.

AA: /ɔː/: aan, aarem, Daal, schmaal, Zaan, Blaat, Gaarte, faarich.

ÄÄ: /ɛː/: dääd, Bäärt, wäär, Däärem.

ÄH: /ɛː/: während, fähich.

AI: /aɪ̯/: Mai, Kaiser.

AU: /aʊ̯/: schlauAu, sauver, grau.

B: /p/: Baam, ab, gebbbraun, Blum, Bentevi.

C: 1. /k/ antes de <a, o, u> e consoantes em empréstimos do português: Cadeh, Canett, Coraal, complikeerd.
2. /s/ antes de <e, i> em empréstimos do português: Process, incentiveere.

CH: 1. /x/ após <a, o, u, au>: Nacht, Bach, mache, doch, Woch, Frucht, Geruch, brauche.
2. /ç/ após <ä, e, i, ei, eu, äi> e no sufixo diminutivo <-che>: ich, Wech, gleich, weuch, Käich, Necht, Medche.
3. /k/ quando seguido de <s> em algumas palavras: Fuchs, sechs, nichs, Ochs, wachse.
4. /ʃ/ no início de palavras emprestadas do português: Cha, Charutt.

CK: /k/: backe, Sack, Brick, deckle, drockne.

D: /t/: Daagh, dass, drei, gud, Meisder, Schwesder.

E: 1. /e/:
1.1 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) que não seja <m, n, r>: Canett, best, lecke, Krebs, lechle, gewe;
1.2 na palavra net.
2. /ə/ em sílabas átonas: de, brenne, gemachd, benutze, fegesse.
3. /ɛ/ em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) em que a primeira seja <n, m> ou seguida de <rr>: ferrerst, Hemm, End, Engel, Eng, Kerreb.
4. /eː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante: leve, scheme, ene.
5. /eː/ ou /eɪ̯/ quando seguido de <er(C)>: Deer, fekeerd, meer.

Ë: /e/: tëlëfon, ëlektrisch, Tëlëvisong, guvërneere.
Observação: alguns falantes tendem a fechar esta vogal e pronunciá-la /i/em algumas palavras como Nennëëgaal, Mëlon.

EH: 1. /eː/: Weh, Mehl, gehn, wehle.
2. /eː/ ou /eɪ̯/ quando seguido de <e> ou <er(C)>: lehe, drehe, Leher.

EI: /aɪ̯/: Sei, Heirat, Dummheit, Zeid, Leit, Ei.

ER: 1. /ɐ/ quando átono: awer, immer, Ewert, hunnerd.
2. /ɛ/ quando tônico seguido de outra consoante: Stern, fertich, Errebs.

ËR: /eɾ/: Guvërneer, intërneere.

EU: /ɔɪ̯/: weuch, Hambeuch, Eu, Meunt, Schreu, neun.

F: /f/: Fatter, fa, Aff, uff, laafe, froh.

G: /k/: gans, gemacht, gehn, grien, glaave.

GH: 1. /x/ após <a, o, u>: Daagh, hogh, Besugh.
2. /ç/ após <ä, e, i>: Kriegh, meeghlich, Rëghion.

H: /h/: Haus, heere, dehemm, gehong.

I: 1. /i/:
1.1 em sílabas átonas: Kaffi, nimmiincëntiveere, Millich, automatisch;
1.2 em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): iwer, immer, Ding, Fisch, ich, Millich;
1.3 nas palavras in, sin, mit, bis, is.
2. /iː/ em sílabas tônicas abertas ou seguidas de apenas uma consoante (escrita): Bentevi, Fis, Bivel.

IE: /iː/: nie, Flieghel, Gemies, grien, Bien.

IEH: /iː/: kiehl, Lieh, ziehe, wiehe.

IH: /iː/: sihn, frih, Mihl.

J: /j/: ja, jetz, jimand, Joher.

K: /kʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Kaste, korz, kenne, Kamp, Kamel, Kaffi.
/k/ em outras situações: Krien, Hoke, eeklich, Bank.

L: /l/: Land, ball, kalt, wellich.

LLI (+vogal): /ʎ~lʲ/: Millie, Famillie, Pillia, Barullie.

M: /m/: Mann, immer, dumm, dreime.

N: 1. /ŋ/ antes de <k, g, c>: dunkel, ëncontreere, Schrank, denke, Englisch.
2. /n/ em outras situações: noh, Nenne, dann, Sohn, hin, Dorn.

NG: /ŋ/: Bang, singe, Finger, eng.
Observação: muito comumente é palatalizado [ŋʲ] após /i/, tornando-se similar à pronuncia do NH do português.

NGJ: /ɲ~ŋʲ/: Gafangjott, Lingjasse, Pingje.

O: 1. /o/:
1.1 em sílabas átonas: Kolonie, monteere, normal.
1.2 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) que não seja <m, n, r>: Gott, Glock, Hols, owe, Rost.
2. /ɔ/:
2.1. em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) em que a primeira seja <n, m> ou seguida de <rr>: Korreb, Sonn, Sommer, komme, sonst, Storrem.
2.2 nas palavras schon, fon.
3. /oː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante: hogh, Stros, wo, don, Mëlon, blose.
4. /oː/ ou /oʊ̯/ quando seguido de <er(C)>: Hoer, feloer, geboer.

OH: 1. /oː/: noh, Schroh, moh, Kohl, Lagoh.
2. /oː/ ou /oʊ̯/ quando seguido de <e> ou <er(C)>: woher, Bohe, Oher, Joher, Wohe.

OI: /oɪ̯/: oi, Moie.

OR (+consoante): /ɔ/: korz, Wort, Korst.

P: 1. /pʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Pack, Pein, Piff, Putsch.
2. /p/ em outras situações: platt, KoppPrim, schuppe.

QU: /kv~kw/: Quell, quatsche.

R: 1. /r/:
1.1 no início das palavras: Reis, rund, rod, Ratt;
1.2 no final de sílabas, exceto se a vogal anterior for <e> ou <o> tônico e a consoante seguinte não for outro R: normal, färrve, nërvees, derr, aarme.
2. /ɾ/ entre vogais ou entre uma consoante e uma vogal: Kraut, braun, Karre, Lehrer.
3. mudo quando segue <e> ou <o> tônico e a consoante seguinte não for outro R: korz, Stern, fort, Herz.

S: 1. /ʃ/ antes de <p, t>: Statt, Spinn, Fest, Wesp, Brust.
2. /s/ em outras situações: Salssies, Schwesder, basse, lese, huppse.

SCH: /ʃ/: Schrank, schwatz, scheen, Disch, Esch.

T: 1. /tʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Tass, Torrem, Tempel.
2. /t/ em outras situações: treffe, hatt, Brust, bedeite.

TSCH: /t͡ʃ/: deitsch, ritsche, batsche, Knatsch.

TZ: /t͡s/: Hitz, Katz, kotze.

U: 1. /u/:
1.1 em sílabas átonas: Cutiseer, Dëputaaade;
1.2 em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): unne, uff, krumm, huppse;
1.3 nas palavras un, um, schun.
2. /uː/ em sílabas tônicas abertas ou seguidas de apenas uma consoante (escrita): du, Wut, Rut, Zugh, Bub.

UH: /uː/: SchuhUher, Kuh, Stuhl.

UU: /uː/: huuste, Puups.

V: /v/: Ove, leve, Vaso, Vokale, Kerrver.

W: /v/: Wasser, wo, awer, gewe, iwrich.

X: /ks/: Hex, Ax, extra.

Z: 1. /t͡s/: Zimmer, Zaanaaz, Herz.
2. /t͡s/ ou /s/ após <n>: Danz, Mienz, ganz, Menz, Panz.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quinta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, finnefter Deel

O problemático R – Das problëmatisch R

O fonema /r/ do hunsriqueano riograndense é com certeza o de comportamento mais instável se comparado, por exemplo, com o alemão padrão, especialmente no que se refere à sua realização ao final de uma sílaba. Vamos tentar analisar seus diversos comportamentos a seguir.

R inicial – Aanfängliches R

Ao iniciar uma palavra, a consoante R tende a ser pronunciada como um golpe (tap) alveolar [ɾ] ou, mais frequentemente, como uma vibrante alveolar [r]. Ele jamais é pronunciado de forma uvular como no alemão padrão. Exemplos: rot, Reis, richtich, Ratt.

O R pode ser o segundo fonema de uma palavra, ocorrendo após /p, t, k, f, ʃ/. Neste caso, a pronúncia é praticamente sempre como um golpe alveolar [ɾ], da mesma forma que as sequências de consoante + r no português. Exemplos: braun, Prëgiss, drei, Trepp, froh, schroh.

R intervocálico – Intërvokalisches R

Quando aparece entre duas vogais, R é pronunciado como um golpe alveolar [ɾ]. Estes Rs podem ser oriundos de um /r/ original ou de uma lenição de /d/, como tratado anteriormente. Exemplos: Karre, Uhre, keere, Brurer

R final – Abschliesenes R

Em alemão padrão, a consoante R, ao final de uma sílaba, costuma ser pronunciada como uma semivogal [ɐ̯], possibilitando ditongos com todas as vogais do idioma, exceto com o schwa /ə/, com o qual se combina para formar um [ɐ] vocálico na terminação <-er>.

Em hunsriqueano riograndense, a sequência schwa+R <-er> também é pronunciada [ɐ] (tratado como um alófono de /a/ para simplificação, visto que não é fonemicamente distinto desta vogal). Em outros casos, porém, sua realização depende da vogal que o antecede e da consoante que o sucede.

1. R antes de coronais /t, t͡s, ʃ, l, n/ não é pronunciado. Numa comparação com o alemão padrão:
1.1 alemão -art, -arz, -arsch, -arl: hunsriqueano riograndense -att/-aat, -atz/aaz, -aasch, -aal. Como não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal precedente, não é grafado e, numa análise interna do idioma, pode ser considerado inexistente. -art/-aart/, -arz/-aarz, -aarsch, -aarl. [Numa revisão da ortografia, decidi manter esse R, que é mudo, por conta de outras situações de um R mudo depois de A que, se não escrito, tornava a ortografia muito irregular].
Exemplos: hart, waarte, schwarz, Zaanaarz, Aarsch, Kaarl
(Compare alemão hart, warten, schwarz, Zahnarzt, Arsch, Karl)

1.2 alemão -e/i/ö/ürt, -e/i/ö/ürz, -e/i/ö/ürsch, -e/i/ö/ürl, -e/i/ö/ürn: hunsriqueano riograndense -ert, -erz, -ersch, -erl, -ern. Não é pronunciado, mas altera a qualidade da vogal de [e] para [ɛ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Werter, Herz, Kersch, Kerl, Bern
(Compare alemão Wörter, Kirsche, Kerl, Birne)

1.3 alemão -o/urt, -o/urz, -o/ursch, -o/urn. Assim como no caso anterior, altera a qualidade da vogal de [o] para [ɔ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Wort, korz, Schorsch, Dorn
(Compare alemão Wort, kurz, Jorge, Dorn)

2. R antes de labiais /p, f, m/, um schwa é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico e, portanto, pronunciado como [ɾ]. Este schwa desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra, fazendo o R se tornar final e pronunciado [r] ou [ɾ].
Exemplos: Forreb/Forrve, schaaref/schäärfer, Scherrem/Scherrme
(Compare alemão Farbe/Farben, scharf/schärfer, Schirm/Schirme)

3. R antes de dorsais /k, ç/, um /i/ é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico como no caso anterior. Este /i/ desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra apenas nos casos de /k/, permanecendo nos casos de /ç/, visto que essa consoante não pode ocorrer após outra consoante (exceto no sufixo diminutivo -che). Exemplos: staarik/stäärker, Kerrich/Kerriche
(Compare alemão stark/stärker, Kirche/Kirchen)

Observação: para alguns falantes, as sequências <-errich> e <-orrich> são pronunciadas sem o R, criando ditongos /ɛɪ̯ç/ e /ɔɪ̯ç/, respectivamente, podendo ser grafados como <-äich> e <-euch>.

4. R sem consoante sucedendo. Sua pronúncia depende do comprimento da vogal que o precede.
4.1 Precedido por vogais curtas, é pronunciado [r]. Ocorre frequentemente após /e/, alterando sua pronúncia para [ɛ], e teoricamente após /o/, alterando sua pronúncia para [ɔ].
Exemplos: Herr, derr, Gescherr 
(Compare alemão Herr, dürr, Geschirr)

4.2 Precedido por vogais longas (exceto /aː~ɔː/), é pronunciado como /a/ (ou mais precisamente [ɐ]), sendo silábico e escrito como <-er>.
Exemplos: Deer, Dier, puer, Hoer
(Compare alemão Tühr, Tier, pur, Haar)

4.3 Precedido pela vogal longa /aː~ɔː/, não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal, portanto não ocorre na escrita. Exemplos: waar, Paar, gaar
(Compare alemão war, Par, gar)

4.4 Precedido por um schwa /ə/, funde-se a este tornando-se [ɐ], como já citado no início desta seção.
Exemplos: Feier, Hunger, iwer
(Compare alemão Feuer, Hunger, über)

4.5 Em palavras recentes emprestadas do português, pode ser pronunciado como no original. Exemplos: Computador, Singular

A “coloração” de R – Die “Färrvung” fon R

Como visto acima e também na descrição das vogais, um R seguindo E ou O curtos faz com que estas vogais se tornem mais abertas. Basicamente, os protofonemas /i/ e /e/ tornam-se [ɛ], enquanto /u/ e /o/ tornam-se [ɔ], representados na ortografia como <er> e <or>. Assim, pode-se dizer que I e U curtos nunca ocorrem antes de R “primitivo”. Eles apenas podem ocorrer se este R for resultado a lenição de D, pois esta situação não afeta a vogal, como no caso da palavra schirre /ˈʃiɾə/ (derramar), a partir de uma forma primitiva *schidde: compare as formas conjugadas schidd (derrama) e geschudd (derramado).

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quarta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, fierter Deel

As fricativas do hunsriqueano riograndense – Die Frikative fom Riograndenser Hunsrickisch

O hunsriqueano riograndense distingue seis fricativas, sendo cinco surdas, /f, s, ʃ, x~ç, h/ e uma sonora /v/.

A ortografia das fricativas – Die Ortografie fon de Frikative

/f/: escrita <f> ou <ff>. Exemplos: Feier, AffFatter, Fuchs, finnef

Diferente do alemão padrão, onde tanto F quanto V são usados para representar /f/, em hunsriqueano riograndense usa-se somente F.

/s/: 1. Escrita <s> ou <ss>. Exemplos: sies, Sonn, Tass, basse, huppse

2. Escrita <c> antes de <e> e <i> em alguns empréstimos do português. Exemplos: Accident, anuncieere.

/ʃ/: 1. Escrita <sch>. Exemplos: scheen, Disch, lepschSchrank, Schwein

2. Escrita <s> nas sequências /ʃt/ e /ʃp/. Exemplos: Statt, festSpinn, Wesp

3. O som /ʃ/ é usado na pronúncia de palavras emprestadas do português, do francês e de línguas indígenas que possuem originalmente os fonemas /ʃ/ (escrito CH ou X) e /ʒ/ (escrito G ou J). Estes termos em sua maioria trocam a grafia em questão para usar SCH. Exemplos: Schakett (jaqueta), Scharack (jararaca), Ransch (laranja), Coraasch (coragem), Plantaasch (plantação), Caschumbe (caxumba).

As exceções compreendem:
3.1. Termos do português iniciados com CH, os quais mantém a grafia deste dígrafo. Exemplos: Cha (chá), Charutt (charuto)
3.2. Termos do português com J precedidos de vogal longa, os quais mantém esta grafia. Exemplo: Soja (soja)

/x~ç/: 1. Escrita <ch> após vogais curtas e ditongos e no sufixo diminutivo <-che>
2. Escrita <gh> após vogais longas.
Exeção: aach
Os fonemas [x] e [ç] são alófonos de uma mesma consoante, sendo que:
a. [x] ocorre apenas após vogais posteriores, ou seja, /a, aː, ɔː, o, oː, u, uː/ e após o ditongo /aʊ̯/. Exemplos: aach, Bach, Woch, suche, hogh, Daagh, brauche, Zugh 

b. [ç] ocorre apenas após vogais anteriores, ou seja, /ɛ, ɛː, e, eː, i, iː/, após os ditongos /aɪ̯, ɔɪ̯, (ɛɪ̯)/ e no sufixo diminutivo <-che> /çə/. Exemplos: Nächt, Määghe, ich, Kriegh, Wegh, wech, gleich, weuch, Käich, Medche

Observação: em palavras nativas, esta consoante somente ocorre no final das sílabas e após uma vogal, sendo a única exceção o sufixo diminutivo <-che>.

/h/: Escrita <h>. Ocorre somente no início das sílabas. Exemplos: Haus, heit, Hols, Himmel.

Observação: lembre-se que um H após uma vogal no final de uma sílaba apenas indica que a vogal é longa e não é pronunciado.

/v/: 1. Escrita <w> no início de palavras nativas ou após vogais curtas: Exemplos: Wasser, weid, Zwiwel, awer, gewe, iwer

2. Escrita <v> no início de palavras emprestadas (do latim e do português, principalmente) e após ditongos e vogais longas. Exemplos: Vaso, Vokal, leve, glaave, sauver

Observação: as sequências /ʃv/, /kv/ e para alguns também /t͡sv/, grafadas respectivamente <schw>, <qu> e <zw>, são pronunciadas frequentemente [ʃw], [kw] e [t͡sw]. Exemplos: schwatz, Quell, Zwilling.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, terceira parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, dritter Deel

As vogais do hunsriqueano riograndense – Die Vokale fom Riograndenser Hunsrickisch

A pronúncia das vogais provavelmente é o ponto que mais varia entre os diferentes “subdialetos” do hunsriqueano riograndense. A quantidade de vogais distintas na fala varia de um máximo de 15 a um mínimo de 11.

Número máximo de vogais distintas:

Vogais do HR

Número mínimo de vogais distintas:

Vogais do HR (mínimo)

A minha ortografia foi organizada de forma a distinguir o número máximo de vogais encontradas.

A ortografia das vogais – Die Ortografie fon de Vokale

/a/ : 1. Escrita <a> ou <ar> (quando etimologicamente válido). Exemplos: Katz, Bang, kalt, ab, nass.
2. A sequência <er> átona também é pronunciada como esta vogal. Exemplos: Mutter, puer, Schmetterling, Kefert

/aː/: Escrita <a> ou <ah>. É um som raro. Exemplos: Cha, ja, normal, Janua

/ə/: O famoso schwa. Escrita <e>, ocorre apenas em sílabas átonas. Exemplos: de, Zimmet, laafe
Quando seguido pelas consoantes /l, m, n/, tende a ser assimilado por elas, produzindo consoantes silábicas /l̩, m̩, n̩/. Exemplos: Bännel, aarem, achtzen 

/e/: 1. Escrita <e>. Exemplos: messe, jetz, Deck, fest
2. Escrito <ë> em sílabas átonas para diferenciar do schwa. Exemplos: Ëlëfant, ëlektrisch, Nennë, Mëlon

/ɛ/: 1. Escrita <ä>. Exemplos: Sänger (agora Senger), färrve (agora ferrve), Fätter (agora Fetter). [Numa nova “reforma” que fiz na ortografia, essa vogal se manteve escrita como <ä> quase unicamente em algumas conjugações verbais, como “häd”, passado de “hon”. Em outras situações de ocorrência, quase todas poderiam ser trocadas por E e manter a pronúncia aberta seguindo as duas representações abaixo].
2. A sequência <er> tônica antes de outra consoante também é pronunciada como esta vogal, sendo o <r> mudo. Exemplos: Perl, Nerrev, Stern, ferrve [outrora färrve].
3. Antes de uma consoante nasal, a vogal /e/ transforma-se em /ɛ/. Exemplos: kenne, Hemm, Hengst, Senger [outrora Sänger].

/eː/: Escrita <e>, <eh> ou <ee>. Exemplos: scheen, heve, gehn, nee, meh 

/ɛː/: Escrita <ä>, <äh>, <är>, <ää> ou <äär>. Exemplos: där, fähich, wääräärmer

/o/: Escrita <o>. Exemplos: Kopp, oft, kotze, Poste

/ɔ/: 1. Corresponde à pronúncia da sequênca <or> tônica antes de outra consoante. Exemplos: korz, fort, Schnorres, Schornster
2. Antes de uma consoante nasal, a vogal /o/ transformar-se em /ɔ/. Exemplos: Sonn, komme, Onkel

/oː/: Escrita <o>, <oh> ou <oo>. Exemplos: Ool, Ove, rod, roh, Soon

/ɔː/: Escrita <aa> ou <aar>. Corresponde à pronúncia do que seria o A longo nativo do hunsriqueano riograndense. Exemplos: Aarvet, Staab, Glaas, Baam

/i/: Escrita <i>. Exemplos: Zimmer, ich, Millich, Schlissel

/iː/: Escrita <i>, <ih>, <ie> ou <ieh>. Exemplos: fiel, Bier, Maschin, bliehe, sihn

/u/: Escrita <u>. Exemplos: Fuchs, dumm, Hund, uff

/uː/: Escrita <u>, <uh> ou <uu>. Exemplos: gud, SchuhUher, huuste, Ruh 

O motivo para a ortografia das vogais longas – De Grund fa die Ortografie fon de lange Vokale

As vogais longas podem ser representadas de três maneiras, como visto:

1. De forma simples quando em sílabas abertas ou antes de consoantes simples
2. Duplicadas
3. Seguidas de H

Sempre que possível, a ortografia tenta ser mantida similar à da versão em alemão padrão, com vogais simples escritas como simples, vogais duplicadas escritas duplicadas e vogais seguidas de H escritas seguidas de H.
Exemplos: fehle, frih, Kohl, KuhOol, Schnee, spiele, lese, Blud
(Compare alemão fehlen, früh, Kohl, KuhAal, Schnee, spielen, lesen, Blut)

A ortografia é alterada de acordo com as seguintes situações:

1. A pronúncia nativa da vogal A longa como /ɔː/ é escrita sempre duplicada como <aa>. As versões simples <a> e com H <ah> são restritas aos poucos casos da ocorrência de /aː/.
Exemplos: aarem, Zaan, Fraaaach, Schaad, laafe, kaafe, Gaarte
(Compare alemão arm, Zahn, Frau, Schade, laufen, kaufen, Garten)

2. As vogais /øː/ e /yː/, escritas em alemão como <ö> e <ü>, não existem em hunsriqueano riograndense, correspondendo neste a /eː/ e /iː/ respectivamente. Quando grafadas de forma simples em alemão, são grafadas duplicadas em hunsriqueano riograndense como <ee> e <ie> respectivamente. Quando grafadas seguidas de H em alemão, são grafadas como <eh> e <ih> em hunsriqueano riograndense, respectivamente.
Exemplos: Heh, scheen, Keenich, frih, Sies, spiele
(Compare alemão Höh, schön, König, früh, Süß, spülen

3. As terminações verbais do alemão <-ieren>, <-ühren>, <-eren> e <-ehren> no infinitivo são em sua maioria pronunciadas da mesma maneira em hunsriqueano riograndense, usando um E longo, e são escritas todas como <-eere>, não importando a grafia em alemão. O propósito é evitar irregularidades da raiz na conjugação. (O que será melhor entendido na apresentação dos verbos e suas conjugações futuramente).

4. Os casos em que o alemão padrão possui o ditongo /aɪ̯/ grafado como <ei> e o hunsriqueano riograndense possui um cognato com a vogal longa /eː/, esta é sempre grafada como <ee>.
Exemplos: Deel, wees, keen, kleen, Rees, alleen, Leed
(Compare alemão Teil, weiß, kein, klein, Reise, allein, Leid)
Exceção: O artigo indefinido é grafado com apenas um E: en, ene, enes, ener… (alemão ein, eine, eines, einer…). O motivo é o fato de este muitas vezes ter a vogal reduzida a um schwa, por ser geralmente uma sílaba átona.
Observação: O numeral 1, no entanto, é grafado com <ee>: een, eene, eenes, eener. Há uma variação bastante comum em que o E é curto, sendo então grafado com um E, mas dois Ns: enn, enne, ennes, enner… As duas formas variam livremente e costumam ser usadas juntas por um mesmo falante.

5. Palavras em que o arquifonema /ɣ/ ocorre como /g~k/ em alemão, mas desapareceu em hunsriqueano riograndense, mantém-se na grafia como um <h> alongador de vogal. A exceção são palavras contendo a vogal /ɔː/, já que a grafia única definida para esta é <aa>, e ditongos.
Exemplos: Rehn, Fohl, frohe, Bohe, liehe, wiehe, saan, draan, steie
(Compare alemão Regen, Vogel, fragen, Bogen, lügen, wiegen, sagen, tragen, steigen)
Exceção: krien (alemão kriegen)

6. Palavras cuja grafia no alemão padrão sugerem a princípio uma vogal curta, mas que na verdade é pronunciada longa, têm a vogal duplicada na escrita em hunsriqueano riograndense para não haver confusão.
Exemplos: Oobst, huuste, Oostre
(Compare alemão Obst, husten, Ostern)

A ortografia dos ditongos – Die Ortografie fon de Diftonge

/aɪ̯/: Escrito <ei> ou, em alguns casos, <ai>. Exemplos: gleich, Eis, bei, Kaiser, Mai 

/ɔɪ̯/: Escrito <eu>. Exemplos: weuch, zweu, Meuend, deuch

/aʊ̯/: Escrito <au>. Exemplos: blauAu, sauver, Daub, haue

/uɪ̯/: Escrito <ui>. Raro. Exemplo: fui!

/oɪ̯/: Escrito <oi>. Raro. Exemplos: oi, moie

/ɛɪ̯/: 1. Escrito <äi> nas palavras Bäich, Käich, Zwäich. Não é encontrado desta forma em todas as variedades, visto que muitos falantes usam as formas Berrich, Kerrich e Zwerrich das mesmas palavras.
2. As sequências <äer> e <er> são por muitos falantes pronunciada como [ˈɛɪ̯a]. Exemplos: er, BäerÄerd, Schäer 

/eɪ̯/: A sequência <ehe> é por muitos falantes pronunciada [ˈeɪ̯ə], e as sequências <eer> e <eher> pronunciadas [ˈeɪ̯a]. Exemplos: nehe, lehe, Beer, Leher, Deer, complikeerd

/oʊ̯/: A sequência <ohe> é por muitos falantes pronunciada [ˈoʊ̯ə], e as sequências <oer> e <oher> pronunciadas [ˈoʊ̯a]. Exemplos: frohe, Bohe, Roher, woher, geboer, Hoer 

/ɔʊ̯/: A preposição e partícula for é por alguns falantes pronunciada [ˈɔʊ̯a]. Exemplos: for, Fordach, forgester. Todos os casos de <or> antes de consoante que não fazem parte da partícula for são pronunciados /ɔ/, como esclarecido acima.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, segunda parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, zwetter Deel

A ortografia das oclusivas

No início das palavras, quando seguidas diretamente por vogais, as consoantes oclusivas do hunsriqueano riograndense compreendem duas séries:
1. Não-aspiradas: /p, t, k/
2. Aspiradas: /pʰ, tʰ, kʰ/
As formas não-aspiradas são representadas por B, D, G e as formas aspiradas por P, T, K.
Exemplos: backe /ˈpakə/ × packe /ˈpʰakə/; danke /ˈtaŋkə/ × Tanke /ˈtʰaŋkə/; Gaarte /ˈkɔːtə/ × Kaarte /ˈkʰɔːtə/

Em outras posições, como no início de palavras após outra consoante, esta diferença é neutralizada. Assim, grien e krien ambas são pronunciadas /kɾiːn/. Gud, rod, hart, Schot, Hut… todas terminam com a consoante /t/. Por que usar duas ortografias então e não padronizar tudo com P, T e K?
Para entender isso, é preciso levar em conta alguns aspectos fonológicos do idioma.

O processo de lenição de B e D – De Lënizionprocess* fon B un D

Como dito acima, não há distinção entre oclusivas fortes (aspiradas) e fracas (não-aspiradas) ao final de uma palavra. Todavia é possível notar que nem todos os /-t/ e /-p/ ao final das palavras se comportam da mesma maneira quando levamos em conta aspectos de conjugação e declinação. Comparemos, por exemplo, as palavras Strud /ʃtɾuːt/ (égua) e Rut /ruːt/ (vara). Ambas terminam com o mesmo fonema /t/. A princípio poderíamos, então, escrever Strud como Stut.
Mas compare os plurais destas palavras:
Strude /ʃtɾuːɾə/ (éguas) e Rute /ˈruːtə/ (varas)
Na palavra Strud, o /-t/ final foi “enfraquecido” para um /-ɾ-/ quando entre duas vogais, enquanto o mesmo não aconteceu com a palavra Rut. Assim, se a palavra é escrita com um D final, este é pronunciado como um R quando uma terminação o faz ficar entre vogais. A escrita não usa -r- nesses casos porque o comportamento deste “r” derivado de um “d” é, fonologicamente, diferente de um “r” verdadeiro.
O mesmo processo ocorre com /-p/ final, como nas palavras Bub /puːp/ (menino) e Bopp /pop/ (boneca), cujos plurais são Buve /ˈpuːvə/ e Boppe /ˈpopə/. Como pode-se notar, no caso de Bub, o /-p/ final foi “enfraquecido” para um /-v-/ quando entre duas vogais. Neste caso a ortografia apresenta a diferença, trocando o B final por um V intervocálico.

A escrita diferenciada de /-t/ e /-p/ no final das palavras, portanto, permite predizer o comportamento deste fonema em formas declinadas e conjugadas. Se a palavra termina em D ou B, estes sons sofrem lenição (enfraquecimento) para R e V quando passam a ficar entre vogais. Já caso a palavra termine em T ou P, o mesmo não acontece.

A pronúncia de S antes de P e T – Die Aussproch fon S forrich P un T

No alemão padrão, a letra S, antes das letras P e T, no início de uma palavra, é pronunciada /ʃ/, da mesma maneira que o trígrafo SCH: Straße /ˈʃtraːsə/, spät /ʃpeːt/, etc. O mesmo ocorre no hunsriqueano riograndense: Stros /ʃtɾoːs/, sped /ʃpeːt/.
A diferença é que no hunsriqueano riograndense esta pronúncia ocorre também nas sequências ST e SP no interior e final das palavras. Portanto, palavras em alemão padrão como bist /bɪst/, fest /fɛst/, Wespe /ˈvespə/ são em hunsriqueano riograndense bist /piʃt/, fest /feʃt/, Wesp /veʃp/.

A terminação da terceira pessoa do singular dos verbos – Die Ennung fom dritte Person Singular fon de Verrbe

No alemão padrão, a terminação que marca a conjugação da terceira pessoa do singular (e da segunda pessoa do plural) no presente é -t: er geht (ele vai), sie macht (ela faz), ihr lest (vocês leem). No hunsriqueano riograndense a pronúncia é a mesma, mas quando sujeito e verbo são invertidos, o mesmo processo de lenição ocorre:
Alemão padrão: geht er? (ele vai?)
Hunsriqueano riograndense: gehr-er? (ele vai?)
Além disso, a letra S nunca é pronunciada /ʃ/ antes dessa terminação. (Vocês) leem é pronunciado /leːst/ e não /leːʃt/.
Baseado nestes dois aspectos, fica evidente que para o hunsriqueano riograndense a consoante final desta conjugação é na verdade um D e não um T. Assim, a ortografia é gehd, machd, lesd.
A terminação da segunda pessoa do singular, que é -st em alemão padrão, permanece -st em hunsriqueano riograndense, visto que neste caso o S sempre é pronunciado /ʃ/. Como exemplo, veja a conjugação em hunsriqueano riograndense do verbo lesen (ler).
ich lese /iç ˈleːsə/
du lest /tu leːʃt/
äer lesd /ˈɛːa leːst/
meer lese /ˈmeːa ˈleːsə/
deer lesd /ˈteːa leːst/
sie lese /siː ˈleːsə/

Explicação etimológica para o uso de D, B, G ou T, P, K – Ëtimologische Auslehung iwer die Benutzung fon B, D, G ore T, P, K

Em outras situações, especialmente no início das palavras, quando seguidos por outra consoante, o uso de D, B e G ou T, P e K tentam refletir a etimologia destes termos. Portanto grien (verde) e krien (ganhar, conseguir), apesar de pronunciados igualmente, possuem diferentes ortografias por sua origem. Compare as versões em alemão padrão grün e kriegen.
Muitos termos que em alemão padrão iniciam em TR, como trinken (beber) e träumen (sonhar) são escritos com DR em hunsriqueano riograndense: drinke, dreime. Isso reflete a segunda fase da mutação consonantal do alto alemão, já que a transformação de D em T não ocorreu em hunsriqueano riograndense em posição inicial.

A ausência de G em posição não-inicial – Das Fehle fon nett-aanfänglichem G

Novamente considerando a mutação consonantal do alto alemão, já sabemos que o fonema ancestral /ɣ/ foi convertido inteiramente em /g/ no alemão padrão. No hunsriqueano riograndense isso aconteceu apenas no início das palavras. Em outras situações ele se manteve /ɣ/ e posteriormente desapareceu por completo (compare alemão tragen, sagen, fragen, regnen e hunsriqueano draan, saan, frohe, rehne) ou ensurdeceu, tornando-se /x/ ou /ç/ e portanto indistinto da consoante representada em alemão por CH (compare alemão weg, Tag, Vogel, Spiegel e hunsriqueano wech, Daagh, Foghel, Spieghel). Assim, todos os casos de palavras terminadas com a consoante /-k/ refletem um /k/ ancestral e jamais sofrem lenição. Portanto G jamais ocorre após uma vogal (exceto no dígrafo GH).

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*Lënizionprocess, de Lënizion (adaptação de Lenição) + Process (processo)

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O que é o Hunsriqueano Riograndense? Was is de Riograndenser Hunsrickisch?

O Hunsriqueano Riograndense é um idioma falado no sul do Brasil, especialmente no estado do Rio Grande do Sul. Para alguns é enquadrado como uma língua, para outros apenas como um dialeto do alemão. O certo é que se trata de um idioma próximo do alemão palatino (Pfälzisch), falado na região de Rheinland-Pflaz (Renânia-Palatinado), na Alemanha, e se desenvolveu a partir do idioma falado pelos imigrantes alemães que chegaram ao Rio Grande do Sul a partir de 1824 e se instalaram na região. Estes imigrantes vinham em sua maioria da região de Hunsrück, um vale em Rheinland-Pfalz e falavam a variação do idioma Pfälzisch desta região. Com o passar dos anos, o idioma foi influenciado por outras línguas locais do Brasil, incluindo o português, o italiano e línguas indígenas, além de outros “dialetos” do alemão, como o Pomerano, o Plautdietsch e mesmo o alemão padrão, já que este era a língua “oficial” usada em publicações, em documentos e no ensino nas escolas.

Apesar de ser o idioma alemão mais falado no sul do Brasil, com estimativas de cerca de três milhões de falantes (segundo a Wikipedia, mas a fonte do dado não é citada), a frequência de aprendizado em gerações mais novas vem decrescendo. Hoje em dia, a maioria dos falantes é composta de adultos, o que a torna uma língua possível de ser extinta em poucas gerações.

Um ponto chave que contribuiu para a desvalorização e consequente declínio do idioma foi o fato de o governo brasileiro proibir o alemão de ser falado no país durante o período da Segunda Guerra Mundial, o que forçou muitos habitantes da região a aprenderem o português, que até aquele momento não era a língua principal de comunicação na região, e restringiu o uso do hunsriqueano riograndense a conversas “dentro de casa”. Nesta época e depois foi comum a associação, por parte de outros povos, dos descendentes dos imigrantes alemães a ideias nazistas, mesmo que a comunidade local não possuísse qualquer contato considerável com a Alemanha havia mais de um século. Como consequência, muitos dos descendentes de alemães passaram a ter receio de usar o idioma publicamente e muitos preferiam não ensiná-lo aos filhos por causa do estigma causado.

O objetivo deste blog é, assim, auxiliar na divulgação e no ensino do hunsriqueano riograndense de maneira a contribuir tanto quanto possível na sua preservação.

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