Category Archives: Ortografia

O plural – De Plural

Agora que já vimos os três gêneros do hunsriqueano riograndense e seus respectivos artigos, podemos partir para o plural.

Assim como no alemão, os três gêneros do hunsriqueano riograndense são indistintos, comportando-se como se fossem um gênero só. O artigo definido do plural é die.

de Mann > die Menner
die Fraa > die Fraae
das Kind > die Kinner

Devido a isso, quando levamos em conta questões de declinação, podemos considerar o hunsriqueano riograndense como apresentando quatro gêneros: masculino, feminino, neutro e plural.

Passando os substantivos para o plural – Die Substantive in de Plural dun

A regra para passar um substantivo do singular para o plural é: caos, não há uma regra específica!

Sim, é similar ao que vemos com o alemão. Não existe nenhuma maneira de saber ao certo, apenas pela palavra, como sua forma no plural será. Mesmo assim, veremos os tipos de mudanças que podem acontecer:

1. Não ocorre mudança: a forma no singular e no plural é a mesma. Essa (falta de) mudança é comum em substantivos masculinos e neutros e praticamente inexistente em substantivos femininos:
das Been > die Been (perna, pernas)
das Zeich > die Zeich (roupa, roupas)
das Wachs > die Wachs (cera, ceras)
de Bauer > die Bauer (fazendeiro, fazendeiros)
de Wind > die Wind (vento, ventos)
die Familie > die Familie (família, famílias)

2. Acrescenta-se uma terminação -e. Essa mudança é comum em substantivos femininos, sendo na verdade a regra para a grande maioria deles, e é pouco frequente em substantivos masculinos e neutros, mas não completamente inexistente:
die Fraa > die Fraae (mulher, mulheres)
die Katz > die Katz(gato, gatos)
die Äerd > die Äerde (terra, terras)
die
Beer > die Beer(“berry”, “berries”)
de Aff > die Affe (macaco, macacos)
das Bapier > die Bapier(papel, papéis)
Obs.: Se a palavra terminar em -er ou -el precedido de qualquer letra que não E ou I, o acréscimo do -e final remove o -e anterior:
die Sicheldie Sichle (foice, foices)
die Schwesderdie Schwesdre (irmã, irmãs)

3. Acrescenta-se uma terminação -er. Essa mudança é encontrada somente em substantivos neutros.
das Kind > die Kinner (criança, crianças)
das Bett > die Better (cama, camas)
das Eu > die Euer (ovo, ovos)
das Bild > die Bilder (figura, figuras)

4. Ocorre o fenômeno de Umlaut: a vogal na raiz da palavra é alterada para uma vogal anterior. Se a vogal for O, vai sempre ser alterada para E; se for U, sempre para I… Agora se ela for A, pode se tornar E ou Ä, sendo que Ä ocorre caso o A seja seguido de um R mudo… O ditongo AU também muda para EI. Não ocorre em substantivos neutros.
de Baam > die Beem (árvore, árvores)
de Fatter > die Fetter (pai, pais)
de Gaarte > die Gäärte (jardim, jardins)
de Zugh > die Zigh (trem, trens)
die Mutter > die Mitter (mãe, mães)
die Brust > die Brist (peito, peitos)
die Braut > die Breit (noiva, noivas)

5. Umlaut + acréscimo de -er. É comum em substantivos masculinos e neutros e não ocorre em femininos.
de Mann > die Menner (homem, homens)
de Dach > die Decher (telhado, telhados)
das Buch > die Bicher (livro, livros)
das Daal > die Deeler (vale, vales)
das Glaas > die Gleeser (copo, copos)

6. Acrésimo de -s em algumas palavras emprestadas do português ou outras línguas.
das Auto > die Autos (carro, carros)
de Amigo > die Amigo(amigo, amigos)

7. A terminação -a é trocada por -e. É rara.
die Sojadie Soj(soja, sojas)
die Pilliadie Pilli(pilha, pilhas)

Algumas palavras possuem mais de uma forma possível para o plural, sendo uma mais conservadora, mas menos frequente, e outra mais comum. Exemplos:
de Aarem > die Äärem, Aarme (braço, braços)
die Wand > die Wend, Wanne (parede, paredes)
die Ax > die Ex, Axe (machado, machados)

Existem também alguns poucos plurais irregulares. As palavras mais comuns que os apresentam são:
das Blaatdie Bletter (folha, folhas)
das Raatdie Retter (roda, rodas)

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quinta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, finnefter Deel

O problemático R – Das problëmatisch R

O fonema /r/ do hunsriqueano riograndense é com certeza o de comportamento mais instável se comparado, por exemplo, com o alemão padrão, especialmente no que se refere à sua realização ao final de uma sílaba. Vamos tentar analisar seus diversos comportamentos a seguir.

R inicial – Aanfängliches R

Ao iniciar uma palavra, a consoante R tende a ser pronunciada como um golpe (tap) alveolar [ɾ] ou, mais frequentemente, como uma vibrante alveolar [r]. Ele jamais é pronunciado de forma uvular como no alemão padrão. Exemplos: rot, Reis, richtich, Ratt.

O R pode ser o segundo fonema de uma palavra, ocorrendo após /p, t, k, f, ʃ/. Neste caso, a pronúncia é praticamente sempre como um golpe alveolar [ɾ], da mesma forma que as sequências de consoante + r no português. Exemplos: braun, Prëgiss, drei, Trepp, froh, schroh.

R intervocálico – Intërvokalisches R

Quando aparece entre duas vogais, R é pronunciado como um golpe alveolar [ɾ]. Estes Rs podem ser oriundos de um /r/ original ou de uma lenição de /d/, como tratado anteriormente. Exemplos: Karre, Uhre, keere, Brurer

R final – Abschliesenes R

Em alemão padrão, a consoante R, ao final de uma sílaba, costuma ser pronunciada como uma semivogal [ɐ̯], possibilitando ditongos com todas as vogais do idioma, exceto com o schwa /ə/, com o qual se combina para formar um [ɐ] vocálico na terminação <-er>.

Em hunsriqueano riograndense, a sequência schwa+R <-er> também é pronunciada [ɐ] (tratado como um alófono de /a/ para simplificação, visto que não é fonemicamente distinto desta vogal). Em outros casos, porém, sua realização depende da vogal que o antecede e da consoante que o sucede.

1. R antes de coronais /t, t͡s, ʃ, l, n/ não é pronunciado. Numa comparação com o alemão padrão:
1.1 alemão -art, -arz, -arsch, -arl: hunsriqueano riograndense -att/-aat, -atz/aaz, -aasch, -aal. Como não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal precedente, não é grafado e, numa análise interna do idioma, pode ser considerado inexistente. -art/-aart/, -arz/-aarz, -aarsch, -aarl. [Numa revisão da ortografia, decidi manter esse R, que é mudo, por conta de outras situações de um R mudo depois de A que, se não escrito, tornava a ortografia muito irregular].
Exemplos: hart, waarte, schwarz, Zaanaarz, Aarsch, Kaarl
(Compare alemão hart, warten, schwarz, Zahnarzt, Arsch, Karl)

1.2 alemão -e/i/ö/ürt, -e/i/ö/ürz, -e/i/ö/ürsch, -e/i/ö/ürl, -e/i/ö/ürn: hunsriqueano riograndense -ert, -erz, -ersch, -erl, -ern. Não é pronunciado, mas altera a qualidade da vogal de [e] para [ɛ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Werter, Herz, Kersch, Kerl, Bern
(Compare alemão Wörter, Kirsche, Kerl, Birne)

1.3 alemão -o/urt, -o/urz, -o/ursch, -o/urn. Assim como no caso anterior, altera a qualidade da vogal de [o] para [ɔ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Wort, korz, Schorsch, Dorn
(Compare alemão Wort, kurz, Jorge, Dorn)

2. R antes de labiais /p, f, m/, um schwa é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico e, portanto, pronunciado como [ɾ]. Este schwa desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra, fazendo o R se tornar final e pronunciado [r] ou [ɾ].
Exemplos: Forreb/Forrve, schaaref/schäärfer, Scherrem/Scherrme
(Compare alemão Farbe/Farben, scharf/schärfer, Schirm/Schirme)

3. R antes de dorsais /k, ç/, um /i/ é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico como no caso anterior. Este /i/ desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra apenas nos casos de /k/, permanecendo nos casos de /ç/, visto que essa consoante não pode ocorrer após outra consoante (exceto no sufixo diminutivo -che). Exemplos: staarik/stäärker, Kerrich/Kerriche
(Compare alemão stark/stärker, Kirche/Kirchen)

Observação: para alguns falantes, as sequências <-errich> e <-orrich> são pronunciadas sem o R, criando ditongos /ɛɪ̯ç/ e /ɔɪ̯ç/, respectivamente, podendo ser grafados como <-äich> e <-euch>.

4. R sem consoante sucedendo. Sua pronúncia depende do comprimento da vogal que o precede.
4.1 Precedido por vogais curtas, é pronunciado [r]. Ocorre frequentemente após /e/, alterando sua pronúncia para [ɛ], e teoricamente após /o/, alterando sua pronúncia para [ɔ].
Exemplos: Herr, derr, Gescherr 
(Compare alemão Herr, dürr, Geschirr)

4.2 Precedido por vogais longas (exceto /aː~ɔː/), é pronunciado como /a/ (ou mais precisamente [ɐ]), sendo silábico e escrito como <-er>.
Exemplos: Deer, Dier, puer, Hoer
(Compare alemão Tühr, Tier, pur, Haar)

4.3 Precedido pela vogal longa /aː~ɔː/, não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal, portanto não ocorre na escrita. Exemplos: waar, Paar, gaar
(Compare alemão war, Par, gar)

4.4 Precedido por um schwa /ə/, funde-se a este tornando-se [ɐ], como já citado no início desta seção.
Exemplos: Feier, Hunger, iwer
(Compare alemão Feuer, Hunger, über)

4.5 Em palavras recentes emprestadas do português, pode ser pronunciado como no original. Exemplos: Computador, Singular

A “coloração” de R – Die “Färrvung” fon R

Como visto acima e também na descrição das vogais, um R seguindo E ou O curtos faz com que estas vogais se tornem mais abertas. Basicamente, os protofonemas /i/ e /e/ tornam-se [ɛ], enquanto /u/ e /o/ tornam-se [ɔ], representados na ortografia como <er> e <or>. Assim, pode-se dizer que I e U curtos nunca ocorrem antes de R “primitivo”. Eles apenas podem ocorrer se este R for resultado a lenição de D, pois esta situação não afeta a vogal, como no caso da palavra schirre /ˈʃiɾə/ (derramar), a partir de uma forma primitiva *schidde: compare as formas conjugadas schidd (derrama) e geschudd (derramado).

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quarta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, fierter Deel

As fricativas do hunsriqueano riograndense – Die Frikative fom Riograndenser Hunsrickisch

O hunsriqueano riograndense distingue seis fricativas, sendo cinco surdas, /f, s, ʃ, x~ç, h/ e uma sonora /v/.

A ortografia das fricativas – Die Ortografie fon de Frikative

/f/: escrita <f> ou <ff>. Exemplos: Feier, AffFatter, Fuchs, finnef

Diferente do alemão padrão, onde tanto F quanto V são usados para representar /f/, em hunsriqueano riograndense usa-se somente F.

/s/: 1. Escrita <s> ou <ss>. Exemplos: sies, Sonn, Tass, basse, huppse

2. Escrita <c> antes de <e> e <i> em alguns empréstimos do português. Exemplos: Accident, anuncieere.

/ʃ/: 1. Escrita <sch>. Exemplos: scheen, Disch, lepschSchrank, Schwein

2. Escrita <s> nas sequências /ʃt/ e /ʃp/. Exemplos: Statt, festSpinn, Wesp

3. O som /ʃ/ é usado na pronúncia de palavras emprestadas do português, do francês e de línguas indígenas que possuem originalmente os fonemas /ʃ/ (escrito CH ou X) e /ʒ/ (escrito G ou J). Estes termos em sua maioria trocam a grafia em questão para usar SCH. Exemplos: Schakett (jaqueta), Scharack (jararaca), Ransch (laranja), Coraasch (coragem), Plantaasch (plantação), Caschumbe (caxumba).

As exceções compreendem:
3.1. Termos do português iniciados com CH, os quais mantém a grafia deste dígrafo. Exemplos: Cha (chá), Charutt (charuto)
3.2. Termos do português com J precedidos de vogal longa, os quais mantém esta grafia. Exemplo: Soja (soja)

/x~ç/: 1. Escrita <ch> após vogais curtas e ditongos e no sufixo diminutivo <-che>
2. Escrita <gh> após vogais longas.
Exeção: aach
Os fonemas [x] e [ç] são alófonos de uma mesma consoante, sendo que:
a. [x] ocorre apenas após vogais posteriores, ou seja, /a, aː, ɔː, o, oː, u, uː/ e após o ditongo /aʊ̯/. Exemplos: aach, Bach, Woch, suche, hogh, Daagh, brauche, Zugh 

b. [ç] ocorre apenas após vogais anteriores, ou seja, /ɛ, ɛː, e, eː, i, iː/, após os ditongos /aɪ̯, ɔɪ̯, (ɛɪ̯)/ e no sufixo diminutivo <-che> /çə/. Exemplos: Nächt, Määghe, ich, Kriegh, Wegh, wech, gleich, weuch, Käich, Medche

Observação: em palavras nativas, esta consoante somente ocorre no final das sílabas e após uma vogal, sendo a única exceção o sufixo diminutivo <-che>.

/h/: Escrita <h>. Ocorre somente no início das sílabas. Exemplos: Haus, heit, Hols, Himmel.

Observação: lembre-se que um H após uma vogal no final de uma sílaba apenas indica que a vogal é longa e não é pronunciado.

/v/: 1. Escrita <w> no início de palavras nativas ou após vogais curtas: Exemplos: Wasser, weid, Zwiwel, awer, gewe, iwer

2. Escrita <v> no início de palavras emprestadas (do latim e do português, principalmente) e após ditongos e vogais longas. Exemplos: Vaso, Vokal, leve, glaave, sauver

Observação: as sequências /ʃv/, /kv/ e para alguns também /t͡sv/, grafadas respectivamente <schw>, <qu> e <zw>, são pronunciadas frequentemente [ʃw], [kw] e [t͡sw]. Exemplos: schwatz, Quell, Zwilling.

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