Category Archives: Fonologia

O processo de lenição secundária – De Nevelënizionprocess

Além do processo de lenição de B e D, discutido anteriormente, o hunsriqueano riograndense também costuma sofrer um processo secundário de lenição. Esta lenição, porém, não é fonêmica, ou seja, ela não interfere na compreensão das palavras e não é obrigatória.

Basicamente ela consiste numa sonorização (“voicing”) de consoantes surdas quando em posição pós-tônica, especialmente se seguidas de vogal ou líquida <l, r> e é mais frequente em fala rápida. Apesar de se tornarem mais sonoras que a versão sem lenição, elas costumam não se tornar tão sonoras quanto suas contrapartes sonoras em outras línguas.

Tentemos deixar isso mais claro:

As consoantes afetadas por esta lenição secundária são /p, t, k, f, s, ʃ, x~ç/.

Sofrendo a lenição, elas se tornam levemente sonoras, o que seria foneticamente melhor representado por [p̬, t̬, k̬, f̬, s̬, ʃ̬, x̬~ç̬] do que por [b, d, g, v, z, ʒ, ɣ~ʝ], já que a pronúncia não é tão sonora quanto destas. Como esta lenição não é fonêmica e nem mesmo obrigatória, ela não é representada na ortografia desenvolvida por mim, nem nas ortografias de Wiesemann e de Altenhofen et al.

Abaixo um exemplo para cada consoante, com a pronúncia plena e a pronúncia sofrendo lenição:

/p/: [p] > [p̬]
Tappes: [ˈtʰapəs] > [ˈtʰap̬əs]

/t/: [t] > [t̬]
bete: [ˈpeːtə] > [ˈpeːt̬ə]

/k/: [k] > [k̬]
packe: [ˈpakə] > [ˈpak̬ə]

/f/: [f] > [f̬]
laafe: [ˈlɔːfə] > [ˈlɔːf̬ə]

/s/: [s] > [s̬]
heese: [ˈheːsə] > [ˈheːs̬ə]

/ʃ/: [ʃ] > [ʃ̬]
husche: [ˈhuʃə] > [ˈhuʃ̬ə]

/x/: [x] > [x̬]
Foghel: [ˈfoːxl̩] > [ˈfoːx̬l̩]

/ç/: [ç] > [ç̬]
weche: [ˈveçə] > [ˈveç̬ə]

Lembre-se de que esta lenição não é essencial e falantes tendem a fazê-la apenas em fala rápida. Sua apresentação aqui tem o intuito apenas de esclarecer este ponto da fonética do idioma, já que às vezes uma palavra pode soar para um falante de português como possuindo uma oclusiva ou fricativa sonora devido a este fenômeno.

 

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, sexta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, sechster Deel

Uma análise do grafema para o fonema – En Analisë fom Grafem zum Fonem

Para finalizar (a princípio) a descrição da minha ortografia, vou apresentar aqui cada letra, dígrafo, trígrafo, etc. e suas formas de pronúncia. Isso incluirá uma revisão do que foi visto nas partes anteriores, além de informações novas:

A: 1. /a/:
1.1 em sílabas átonas: Amesch, eenfach, Gafangjott, Amigo;
1.2 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita): hatt hart, nass, wall, Katz, basse;
1.3 nas palavras was, das, ab, fa.
2. /aː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante (escrita): Cha, Matërial, problëmatisch.

Ä: 1. /ɛ/ em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): gäll, stärrker
2. /ɛː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante (escrita): där
3. /ɛ/ ou /ɛɪ̯/ quando seguido de <er(C)>: häer, läer, Schäer, Äerd.

AA: /ɔː/: aan, aarem, Daal, schmaal, Zaan, Blaat, Gaarte, faarich.

ÄÄ: /ɛː/: dääd, Bäärt, wäär, Däärem.

ÄH: /ɛː/: während, fähich.

AI: /aɪ̯/: Mai, Kaiser.

AU: /aʊ̯/: schlauAu, sauver, grau.

B: /p/: Baam, ab, gebbbraun, Blum, Bentevi.

C: 1. /k/ antes de <a, o, u> e consoantes em empréstimos do português: Cadeh, Canett, Coraal, complikeerd.
2. /s/ antes de <e, i> em empréstimos do português: Process, incentiveere.

CH: 1. /x/ após <a, o, u, au>: Nacht, Bach, mache, doch, Woch, Frucht, Geruch, brauche.
2. /ç/ após <ä, e, i, ei, eu, äi> e no sufixo diminutivo <-che>: ich, Wech, gleich, weuch, Käich, Necht, Medche.
3. /k/ quando seguido de <s> em algumas palavras: Fuchs, sechs, nichs, Ochs, wachse.
4. /ʃ/ no início de palavras emprestadas do português: Cha, Charutt.

CK: /k/: backe, Sack, Brick, deckle, drockne.

D: /t/: Daagh, dass, drei, gud, Meisder, Schwesder.

E: 1. /e/:
1.1 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) que não seja <m, n, r>: Canett, best, lecke, Krebs, lechle, gewe;
1.2 na palavra net.
2. /ə/ em sílabas átonas: de, brenne, gemachd, benutze, fegesse.
3. /ɛ/ em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) em que a primeira seja <n, m> ou seguida de <rr>: ferrerst, Hemm, End, Engel, Eng, Kerreb.
4. /eː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante: leve, scheme, ene.
5. /eː/ ou /eɪ̯/ quando seguido de <er(C)>: Deer, fekeerd, meer.

Ë: /e/: tëlëfon, ëlektrisch, Tëlëvisong, guvërneere.
Observação: alguns falantes tendem a fechar esta vogal e pronunciá-la /i/em algumas palavras como Nennëëgaal, Mëlon.

EH: 1. /eː/: Weh, Mehl, gehn, wehle.
2. /eː/ ou /eɪ̯/ quando seguido de <e> ou <er(C)>: lehe, drehe, Leher.

EI: /aɪ̯/: Sei, Heirat, Dummheit, Zeid, Leit, Ei.

ER: 1. /ɐ/ quando átono: awer, immer, Ewert, hunnerd.
2. /ɛ/ quando tônico seguido de outra consoante: Stern, fertich, Errebs.

ËR: /eɾ/: Guvërneer, intërneere.

EU: /ɔɪ̯/: weuch, Hambeuch, Eu, Meunt, Schreu, neun.

F: /f/: Fatter, fa, Aff, uff, laafe, froh.

G: /k/: gans, gemacht, gehn, grien, glaave.

GH: 1. /x/ após <a, o, u>: Daagh, hogh, Besugh.
2. /ç/ após <ä, e, i>: Kriegh, meeghlich, Rëghion.

H: /h/: Haus, heere, dehemm, gehong.

I: 1. /i/:
1.1 em sílabas átonas: Kaffi, nimmiincëntiveere, Millich, automatisch;
1.2 em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): iwer, immer, Ding, Fisch, ich, Millich;
1.3 nas palavras in, sin, mit, bis, is.
2. /iː/ em sílabas tônicas abertas ou seguidas de apenas uma consoante (escrita): Bentevi, Fis, Bivel.

IE: /iː/: nie, Flieghel, Gemies, grien, Bien.

IEH: /iː/: kiehl, Lieh, ziehe, wiehe.

IH: /iː/: sihn, frih, Mihl.

J: /j/: ja, jetz, jimand, Joher.

K: /kʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Kaste, korz, kenne, Kamp, Kamel, Kaffi.
/k/ em outras situações: Krien, Hoke, eeklich, Bank.

L: /l/: Land, ball, kalt, wellich.

LLI (+vogal): /ʎ~lʲ/: Millie, Famillie, Pillia, Barullie.

M: /m/: Mann, immer, dumm, dreime.

N: 1. /ŋ/ antes de <k, g, c>: dunkel, ëncontreere, Schrank, denke, Englisch.
2. /n/ em outras situações: noh, Nenne, dann, Sohn, hin, Dorn.

NG: /ŋ/: Bang, singe, Finger, eng.
Observação: muito comumente é palatalizado [ŋʲ] após /i/, tornando-se similar à pronuncia do NH do português.

NGJ: /ɲ~ŋʲ/: Gafangjott, Lingjasse, Pingje.

O: 1. /o/:
1.1 em sílabas átonas: Kolonie, monteere, normal.
1.2 em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) que não seja <m, n, r>: Gott, Glock, Hols, owe, Rost.
2. /ɔ/:
2.1. em sílabas tônicas seguida de mais de uma consoante (escrita) em que a primeira seja <n, m> ou seguida de <rr>: Korreb, Sonn, Sommer, komme, sonst, Storrem.
2.2 nas palavras schon, fon.
3. /oː/ em sílabas tônicas abertas ou seguida de apenas uma consoante: hogh, Stros, wo, don, Mëlon, blose.
4. /oː/ ou /oʊ̯/ quando seguido de <er(C)>: Hoer, feloer, geboer.

OH: 1. /oː/: noh, Schroh, moh, Kohl, Lagoh.
2. /oː/ ou /oʊ̯/ quando seguido de <e> ou <er(C)>: woher, Bohe, Oher, Joher, Wohe.

OI: /oɪ̯/: oi, Moie.

OR (+consoante): /ɔ/: korz, Wort, Korst.

P: 1. /pʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Pack, Pein, Piff, Putsch.
2. /p/ em outras situações: platt, KoppPrim, schuppe.

QU: /kv~kw/: Quell, quatsche.

R: 1. /r/:
1.1 no início das palavras: Reis, rund, rod, Ratt;
1.2 no final de sílabas, exceto se a vogal anterior for <e> ou <o> tônico e a consoante seguinte não for outro R: normal, färrve, nërvees, derr, aarme.
2. /ɾ/ entre vogais ou entre uma consoante e uma vogal: Kraut, braun, Karre, Lehrer.
3. mudo quando segue <e> ou <o> tônico e a consoante seguinte não for outro R: korz, Stern, fort, Herz.

S: 1. /ʃ/ antes de <p, t>: Statt, Spinn, Fest, Wesp, Brust.
2. /s/ em outras situações: Salssies, Schwesder, basse, lese, huppse.

SCH: /ʃ/: Schrank, schwatz, scheen, Disch, Esch.

T: 1. /tʰ/ no início de palavras, seguido de vogal: Tass, Torrem, Tempel.
2. /t/ em outras situações: treffe, hatt, Brust, bedeite.

TSCH: /t͡ʃ/: deitsch, ritsche, batsche, Knatsch.

TZ: /t͡s/: Hitz, Katz, kotze.

U: 1. /u/:
1.1 em sílabas átonas: Cutiseer, Dëputaaade;
1.2 em sílabas tônicas seguidas de mais de uma consoante (escrita): unne, uff, krumm, huppse;
1.3 nas palavras un, um, schun.
2. /uː/ em sílabas tônicas abertas ou seguidas de apenas uma consoante (escrita): du, Wut, Rut, Zugh, Bub.

UH: /uː/: SchuhUher, Kuh, Stuhl.

UU: /uː/: huuste, Puups.

V: /v/: Ove, leve, Vaso, Vokale, Kerrver.

W: /v/: Wasser, wo, awer, gewe, iwrich.

X: /ks/: Hex, Ax, extra.

Z: 1. /t͡s/: Zimmer, Zaanaaz, Herz.
2. /t͡s/ ou /s/ após <n>: Danz, Mienz, ganz, Menz, Panz.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quinta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, finnefter Deel

O problemático R – Das problëmatisch R

O fonema /r/ do hunsriqueano riograndense é com certeza o de comportamento mais instável se comparado, por exemplo, com o alemão padrão, especialmente no que se refere à sua realização ao final de uma sílaba. Vamos tentar analisar seus diversos comportamentos a seguir.

R inicial – Aanfängliches R

Ao iniciar uma palavra, a consoante R tende a ser pronunciada como um golpe (tap) alveolar [ɾ] ou, mais frequentemente, como uma vibrante alveolar [r]. Ele jamais é pronunciado de forma uvular como no alemão padrão. Exemplos: rot, Reis, richtich, Ratt.

O R pode ser o segundo fonema de uma palavra, ocorrendo após /p, t, k, f, ʃ/. Neste caso, a pronúncia é praticamente sempre como um golpe alveolar [ɾ], da mesma forma que as sequências de consoante + r no português. Exemplos: braun, Prëgiss, drei, Trepp, froh, schroh.

R intervocálico – Intërvokalisches R

Quando aparece entre duas vogais, R é pronunciado como um golpe alveolar [ɾ]. Estes Rs podem ser oriundos de um /r/ original ou de uma lenição de /d/, como tratado anteriormente. Exemplos: Karre, Uhre, keere, Brurer

R final – Abschliesenes R

Em alemão padrão, a consoante R, ao final de uma sílaba, costuma ser pronunciada como uma semivogal [ɐ̯], possibilitando ditongos com todas as vogais do idioma, exceto com o schwa /ə/, com o qual se combina para formar um [ɐ] vocálico na terminação <-er>.

Em hunsriqueano riograndense, a sequência schwa+R <-er> também é pronunciada [ɐ] (tratado como um alófono de /a/ para simplificação, visto que não é fonemicamente distinto desta vogal). Em outros casos, porém, sua realização depende da vogal que o antecede e da consoante que o sucede.

1. R antes de coronais /t, t͡s, ʃ, l, n/ não é pronunciado. Numa comparação com o alemão padrão:
1.1 alemão -art, -arz, -arsch, -arl: hunsriqueano riograndense -att/-aat, -atz/aaz, -aasch, -aal. Como não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal precedente, não é grafado e, numa análise interna do idioma, pode ser considerado inexistente. -art/-aart/, -arz/-aarz, -aarsch, -aarl. [Numa revisão da ortografia, decidi manter esse R, que é mudo, por conta de outras situações de um R mudo depois de A que, se não escrito, tornava a ortografia muito irregular].
Exemplos: hart, waarte, schwarz, Zaanaarz, Aarsch, Kaarl
(Compare alemão hart, warten, schwarz, Zahnarzt, Arsch, Karl)

1.2 alemão -e/i/ö/ürt, -e/i/ö/ürz, -e/i/ö/ürsch, -e/i/ö/ürl, -e/i/ö/ürn: hunsriqueano riograndense -ert, -erz, -ersch, -erl, -ern. Não é pronunciado, mas altera a qualidade da vogal de [e] para [ɛ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Werter, Herz, Kersch, Kerl, Bern
(Compare alemão Wörter, Kirsche, Kerl, Birne)

1.3 alemão -o/urt, -o/urz, -o/ursch, -o/urn. Assim como no caso anterior, altera a qualidade da vogal de [o] para [ɔ], sendo portanto grafado.
Exemplos: Wort, korz, Schorsch, Dorn
(Compare alemão Wort, kurz, Jorge, Dorn)

2. R antes de labiais /p, f, m/, um schwa é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico e, portanto, pronunciado como [ɾ]. Este schwa desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra, fazendo o R se tornar final e pronunciado [r] ou [ɾ].
Exemplos: Forreb/Forrve, schaaref/schäärfer, Scherrem/Scherrme
(Compare alemão Farbe/Farben, scharf/schärfer, Schirm/Schirme)

3. R antes de dorsais /k, ç/, um /i/ é inserido entre as duas consoantes, criando uma sílaba extra e tornando o R intervocálico como no caso anterior. Este /i/ desaparece caso uma terminação vocálica seja acrescentada à palavra apenas nos casos de /k/, permanecendo nos casos de /ç/, visto que essa consoante não pode ocorrer após outra consoante (exceto no sufixo diminutivo -che). Exemplos: staarik/stäärker, Kerrich/Kerriche
(Compare alemão stark/stärker, Kirche/Kirchen)

Observação: para alguns falantes, as sequências <-errich> e <-orrich> são pronunciadas sem o R, criando ditongos /ɛɪ̯ç/ e /ɔɪ̯ç/, respectivamente, podendo ser grafados como <-äich> e <-euch>.

4. R sem consoante sucedendo. Sua pronúncia depende do comprimento da vogal que o precede.
4.1 Precedido por vogais curtas, é pronunciado [r]. Ocorre frequentemente após /e/, alterando sua pronúncia para [ɛ], e teoricamente após /o/, alterando sua pronúncia para [ɔ].
Exemplos: Herr, derr, Gescherr 
(Compare alemão Herr, dürr, Geschirr)

4.2 Precedido por vogais longas (exceto /aː~ɔː/), é pronunciado como /a/ (ou mais precisamente [ɐ]), sendo silábico e escrito como <-er>.
Exemplos: Deer, Dier, puer, Hoer
(Compare alemão Tühr, Tier, pur, Haar)

4.3 Precedido pela vogal longa /aː~ɔː/, não é pronunciado e nem altera a qualidade da vogal, portanto não ocorre na escrita. Exemplos: waar, Paar, gaar
(Compare alemão war, Par, gar)

4.4 Precedido por um schwa /ə/, funde-se a este tornando-se [ɐ], como já citado no início desta seção.
Exemplos: Feier, Hunger, iwer
(Compare alemão Feuer, Hunger, über)

4.5 Em palavras recentes emprestadas do português, pode ser pronunciado como no original. Exemplos: Computador, Singular

A “coloração” de R – Die “Färrvung” fon R

Como visto acima e também na descrição das vogais, um R seguindo E ou O curtos faz com que estas vogais se tornem mais abertas. Basicamente, os protofonemas /i/ e /e/ tornam-se [ɛ], enquanto /u/ e /o/ tornam-se [ɔ], representados na ortografia como <er> e <or>. Assim, pode-se dizer que I e U curtos nunca ocorrem antes de R “primitivo”. Eles apenas podem ocorrer se este R for resultado a lenição de D, pois esta situação não afeta a vogal, como no caso da palavra schirre /ˈʃiɾə/ (derramar), a partir de uma forma primitiva *schidde: compare as formas conjugadas schidd (derrama) e geschudd (derramado).

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, quarta parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, fierter Deel

As fricativas do hunsriqueano riograndense – Die Frikative fom Riograndenser Hunsrickisch

O hunsriqueano riograndense distingue seis fricativas, sendo cinco surdas, /f, s, ʃ, x~ç, h/ e uma sonora /v/.

A ortografia das fricativas – Die Ortografie fon de Frikative

/f/: escrita <f> ou <ff>. Exemplos: Feier, AffFatter, Fuchs, finnef

Diferente do alemão padrão, onde tanto F quanto V são usados para representar /f/, em hunsriqueano riograndense usa-se somente F.

/s/: 1. Escrita <s> ou <ss>. Exemplos: sies, Sonn, Tass, basse, huppse

2. Escrita <c> antes de <e> e <i> em alguns empréstimos do português. Exemplos: Accident, anuncieere.

/ʃ/: 1. Escrita <sch>. Exemplos: scheen, Disch, lepschSchrank, Schwein

2. Escrita <s> nas sequências /ʃt/ e /ʃp/. Exemplos: Statt, festSpinn, Wesp

3. O som /ʃ/ é usado na pronúncia de palavras emprestadas do português, do francês e de línguas indígenas que possuem originalmente os fonemas /ʃ/ (escrito CH ou X) e /ʒ/ (escrito G ou J). Estes termos em sua maioria trocam a grafia em questão para usar SCH. Exemplos: Schakett (jaqueta), Scharack (jararaca), Ransch (laranja), Coraasch (coragem), Plantaasch (plantação), Caschumbe (caxumba).

As exceções compreendem:
3.1. Termos do português iniciados com CH, os quais mantém a grafia deste dígrafo. Exemplos: Cha (chá), Charutt (charuto)
3.2. Termos do português com J precedidos de vogal longa, os quais mantém esta grafia. Exemplo: Soja (soja)

/x~ç/: 1. Escrita <ch> após vogais curtas e ditongos e no sufixo diminutivo <-che>
2. Escrita <gh> após vogais longas.
Exeção: aach
Os fonemas [x] e [ç] são alófonos de uma mesma consoante, sendo que:
a. [x] ocorre apenas após vogais posteriores, ou seja, /a, aː, ɔː, o, oː, u, uː/ e após o ditongo /aʊ̯/. Exemplos: aach, Bach, Woch, suche, hogh, Daagh, brauche, Zugh 

b. [ç] ocorre apenas após vogais anteriores, ou seja, /ɛ, ɛː, e, eː, i, iː/, após os ditongos /aɪ̯, ɔɪ̯, (ɛɪ̯)/ e no sufixo diminutivo <-che> /çə/. Exemplos: Nächt, Määghe, ich, Kriegh, Wegh, wech, gleich, weuch, Käich, Medche

Observação: em palavras nativas, esta consoante somente ocorre no final das sílabas e após uma vogal, sendo a única exceção o sufixo diminutivo <-che>.

/h/: Escrita <h>. Ocorre somente no início das sílabas. Exemplos: Haus, heit, Hols, Himmel.

Observação: lembre-se que um H após uma vogal no final de uma sílaba apenas indica que a vogal é longa e não é pronunciado.

/v/: 1. Escrita <w> no início de palavras nativas ou após vogais curtas: Exemplos: Wasser, weid, Zwiwel, awer, gewe, iwer

2. Escrita <v> no início de palavras emprestadas (do latim e do português, principalmente) e após ditongos e vogais longas. Exemplos: Vaso, Vokal, leve, glaave, sauver

Observação: as sequências /ʃv/, /kv/ e para alguns também /t͡sv/, grafadas respectivamente <schw>, <qu> e <zw>, são pronunciadas frequentemente [ʃw], [kw] e [t͡sw]. Exemplos: schwatz, Quell, Zwilling.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, terceira parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, dritter Deel

As vogais do hunsriqueano riograndense – Die Vokale fom Riograndenser Hunsrickisch

A pronúncia das vogais provavelmente é o ponto que mais varia entre os diferentes “subdialetos” do hunsriqueano riograndense. A quantidade de vogais distintas na fala varia de um máximo de 15 a um mínimo de 11.

Número máximo de vogais distintas:

Vogais do HR

Número mínimo de vogais distintas:

Vogais do HR (mínimo)

A minha ortografia foi organizada de forma a distinguir o número máximo de vogais encontradas.

A ortografia das vogais – Die Ortografie fon de Vokale

/a/ : 1. Escrita <a> ou <ar> (quando etimologicamente válido). Exemplos: Katz, Bang, kalt, ab, nass.
2. A sequência <er> átona também é pronunciada como esta vogal. Exemplos: Mutter, puer, Schmetterling, Kefert

/aː/: Escrita <a> ou <ah>. É um som raro. Exemplos: Cha, ja, normal, Janua

/ə/: O famoso schwa. Escrita <e>, ocorre apenas em sílabas átonas. Exemplos: de, Zimmet, laafe
Quando seguido pelas consoantes /l, m, n/, tende a ser assimilado por elas, produzindo consoantes silábicas /l̩, m̩, n̩/. Exemplos: Bännel, aarem, achtzen 

/e/: 1. Escrita <e>. Exemplos: messe, jetz, Deck, fest
2. Escrito <ë> em sílabas átonas para diferenciar do schwa. Exemplos: Ëlëfant, ëlektrisch, Nennë, Mëlon

/ɛ/: 1. Escrita <ä>. Exemplos: Sänger (agora Senger), färrve (agora ferrve), Fätter (agora Fetter). [Numa nova “reforma” que fiz na ortografia, essa vogal se manteve escrita como <ä> quase unicamente em algumas conjugações verbais, como “häd”, passado de “hon”. Em outras situações de ocorrência, quase todas poderiam ser trocadas por E e manter a pronúncia aberta seguindo as duas representações abaixo].
2. A sequência <er> tônica antes de outra consoante também é pronunciada como esta vogal, sendo o <r> mudo. Exemplos: Perl, Nerrev, Stern, ferrve [outrora färrve].
3. Antes de uma consoante nasal, a vogal /e/ transforma-se em /ɛ/. Exemplos: kenne, Hemm, Hengst, Senger [outrora Sänger].

/eː/: Escrita <e>, <eh> ou <ee>. Exemplos: scheen, heve, gehn, nee, meh 

/ɛː/: Escrita <ä>, <äh>, <är>, <ää> ou <äär>. Exemplos: där, fähich, wääräärmer

/o/: Escrita <o>. Exemplos: Kopp, oft, kotze, Poste

/ɔ/: 1. Corresponde à pronúncia da sequênca <or> tônica antes de outra consoante. Exemplos: korz, fort, Schnorres, Schornster
2. Antes de uma consoante nasal, a vogal /o/ transformar-se em /ɔ/. Exemplos: Sonn, komme, Onkel

/oː/: Escrita <o>, <oh> ou <oo>. Exemplos: Ool, Ove, rod, roh, Soon

/ɔː/: Escrita <aa> ou <aar>. Corresponde à pronúncia do que seria o A longo nativo do hunsriqueano riograndense. Exemplos: Aarvet, Staab, Glaas, Baam

/i/: Escrita <i>. Exemplos: Zimmer, ich, Millich, Schlissel

/iː/: Escrita <i>, <ih>, <ie> ou <ieh>. Exemplos: fiel, Bier, Maschin, bliehe, sihn

/u/: Escrita <u>. Exemplos: Fuchs, dumm, Hund, uff

/uː/: Escrita <u>, <uh> ou <uu>. Exemplos: gud, SchuhUher, huuste, Ruh 

O motivo para a ortografia das vogais longas – De Grund fa die Ortografie fon de lange Vokale

As vogais longas podem ser representadas de três maneiras, como visto:

1. De forma simples quando em sílabas abertas ou antes de consoantes simples
2. Duplicadas
3. Seguidas de H

Sempre que possível, a ortografia tenta ser mantida similar à da versão em alemão padrão, com vogais simples escritas como simples, vogais duplicadas escritas duplicadas e vogais seguidas de H escritas seguidas de H.
Exemplos: fehle, frih, Kohl, KuhOol, Schnee, spiele, lese, Blud
(Compare alemão fehlen, früh, Kohl, KuhAal, Schnee, spielen, lesen, Blut)

A ortografia é alterada de acordo com as seguintes situações:

1. A pronúncia nativa da vogal A longa como /ɔː/ é escrita sempre duplicada como <aa>. As versões simples <a> e com H <ah> são restritas aos poucos casos da ocorrência de /aː/.
Exemplos: aarem, Zaan, Fraaaach, Schaad, laafe, kaafe, Gaarte
(Compare alemão arm, Zahn, Frau, Schade, laufen, kaufen, Garten)

2. As vogais /øː/ e /yː/, escritas em alemão como <ö> e <ü>, não existem em hunsriqueano riograndense, correspondendo neste a /eː/ e /iː/ respectivamente. Quando grafadas de forma simples em alemão, são grafadas duplicadas em hunsriqueano riograndense como <ee> e <ie> respectivamente. Quando grafadas seguidas de H em alemão, são grafadas como <eh> e <ih> em hunsriqueano riograndense, respectivamente.
Exemplos: Heh, scheen, Keenich, frih, Sies, spiele
(Compare alemão Höh, schön, König, früh, Süß, spülen

3. As terminações verbais do alemão <-ieren>, <-ühren>, <-eren> e <-ehren> no infinitivo são em sua maioria pronunciadas da mesma maneira em hunsriqueano riograndense, usando um E longo, e são escritas todas como <-eere>, não importando a grafia em alemão. O propósito é evitar irregularidades da raiz na conjugação. (O que será melhor entendido na apresentação dos verbos e suas conjugações futuramente).

4. Os casos em que o alemão padrão possui o ditongo /aɪ̯/ grafado como <ei> e o hunsriqueano riograndense possui um cognato com a vogal longa /eː/, esta é sempre grafada como <ee>.
Exemplos: Deel, wees, keen, kleen, Rees, alleen, Leed
(Compare alemão Teil, weiß, kein, klein, Reise, allein, Leid)
Exceção: O artigo indefinido é grafado com apenas um E: en, ene, enes, ener… (alemão ein, eine, eines, einer…). O motivo é o fato de este muitas vezes ter a vogal reduzida a um schwa, por ser geralmente uma sílaba átona.
Observação: O numeral 1, no entanto, é grafado com <ee>: een, eene, eenes, eener. Há uma variação bastante comum em que o E é curto, sendo então grafado com um E, mas dois Ns: enn, enne, ennes, enner… As duas formas variam livremente e costumam ser usadas juntas por um mesmo falante.

5. Palavras em que o arquifonema /ɣ/ ocorre como /g~k/ em alemão, mas desapareceu em hunsriqueano riograndense, mantém-se na grafia como um <h> alongador de vogal. A exceção são palavras contendo a vogal /ɔː/, já que a grafia única definida para esta é <aa>, e ditongos.
Exemplos: Rehn, Fohl, frohe, Bohe, liehe, wiehe, saan, draan, steie
(Compare alemão Regen, Vogel, fragen, Bogen, lügen, wiegen, sagen, tragen, steigen)
Exceção: krien (alemão kriegen)

6. Palavras cuja grafia no alemão padrão sugerem a princípio uma vogal curta, mas que na verdade é pronunciada longa, têm a vogal duplicada na escrita em hunsriqueano riograndense para não haver confusão.
Exemplos: Oobst, huuste, Oostre
(Compare alemão Obst, husten, Ostern)

A ortografia dos ditongos – Die Ortografie fon de Diftonge

/aɪ̯/: Escrito <ei> ou, em alguns casos, <ai>. Exemplos: gleich, Eis, bei, Kaiser, Mai 

/ɔɪ̯/: Escrito <eu>. Exemplos: weuch, zweu, Meuend, deuch

/aʊ̯/: Escrito <au>. Exemplos: blauAu, sauver, Daub, haue

/uɪ̯/: Escrito <ui>. Raro. Exemplo: fui!

/oɪ̯/: Escrito <oi>. Raro. Exemplos: oi, moie

/ɛɪ̯/: 1. Escrito <äi> nas palavras Bäich, Käich, Zwäich. Não é encontrado desta forma em todas as variedades, visto que muitos falantes usam as formas Berrich, Kerrich e Zwerrich das mesmas palavras.
2. As sequências <äer> e <er> são por muitos falantes pronunciada como [ˈɛɪ̯a]. Exemplos: er, BäerÄerd, Schäer 

/eɪ̯/: A sequência <ehe> é por muitos falantes pronunciada [ˈeɪ̯ə], e as sequências <eer> e <eher> pronunciadas [ˈeɪ̯a]. Exemplos: nehe, lehe, Beer, Leher, Deer, complikeerd

/oʊ̯/: A sequência <ohe> é por muitos falantes pronunciada [ˈoʊ̯ə], e as sequências <oer> e <oher> pronunciadas [ˈoʊ̯a]. Exemplos: frohe, Bohe, Roher, woher, geboer, Hoer 

/ɔʊ̯/: A preposição e partícula for é por alguns falantes pronunciada [ˈɔʊ̯a]. Exemplos: for, Fordach, forgester. Todos os casos de <or> antes de consoante que não fazem parte da partícula for são pronunciados /ɔ/, como esclarecido acima.

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A ortografia do Hunsriqueano Riograndense segundo Boll, segunda parte – Die Ortografie fom Riograndenser Hunsrickisch noh Boll, zwetter Deel

A ortografia das oclusivas

No início das palavras, quando seguidas diretamente por vogais, as consoantes oclusivas do hunsriqueano riograndense compreendem duas séries:
1. Não-aspiradas: /p, t, k/
2. Aspiradas: /pʰ, tʰ, kʰ/
As formas não-aspiradas são representadas por B, D, G e as formas aspiradas por P, T, K.
Exemplos: backe /ˈpakə/ × packe /ˈpʰakə/; danke /ˈtaŋkə/ × Tanke /ˈtʰaŋkə/; Gaarte /ˈkɔːtə/ × Kaarte /ˈkʰɔːtə/

Em outras posições, como no início de palavras após outra consoante, esta diferença é neutralizada. Assim, grien e krien ambas são pronunciadas /kɾiːn/. Gud, rod, hart, Schot, Hut… todas terminam com a consoante /t/. Por que usar duas ortografias então e não padronizar tudo com P, T e K?
Para entender isso, é preciso levar em conta alguns aspectos fonológicos do idioma.

O processo de lenição de B e D – De Lënizionprocess* fon B un D

Como dito acima, não há distinção entre oclusivas fortes (aspiradas) e fracas (não-aspiradas) ao final de uma palavra. Todavia é possível notar que nem todos os /-t/ e /-p/ ao final das palavras se comportam da mesma maneira quando levamos em conta aspectos de conjugação e declinação. Comparemos, por exemplo, as palavras Strud /ʃtɾuːt/ (égua) e Rut /ruːt/ (vara). Ambas terminam com o mesmo fonema /t/. A princípio poderíamos, então, escrever Strud como Stut.
Mas compare os plurais destas palavras:
Strude /ʃtɾuːɾə/ (éguas) e Rute /ˈruːtə/ (varas)
Na palavra Strud, o /-t/ final foi “enfraquecido” para um /-ɾ-/ quando entre duas vogais, enquanto o mesmo não aconteceu com a palavra Rut. Assim, se a palavra é escrita com um D final, este é pronunciado como um R quando uma terminação o faz ficar entre vogais. A escrita não usa -r- nesses casos porque o comportamento deste “r” derivado de um “d” é, fonologicamente, diferente de um “r” verdadeiro.
O mesmo processo ocorre com /-p/ final, como nas palavras Bub /puːp/ (menino) e Bopp /pop/ (boneca), cujos plurais são Buve /ˈpuːvə/ e Boppe /ˈpopə/. Como pode-se notar, no caso de Bub, o /-p/ final foi “enfraquecido” para um /-v-/ quando entre duas vogais. Neste caso a ortografia apresenta a diferença, trocando o B final por um V intervocálico.

A escrita diferenciada de /-t/ e /-p/ no final das palavras, portanto, permite predizer o comportamento deste fonema em formas declinadas e conjugadas. Se a palavra termina em D ou B, estes sons sofrem lenição (enfraquecimento) para R e V quando passam a ficar entre vogais. Já caso a palavra termine em T ou P, o mesmo não acontece.

A pronúncia de S antes de P e T – Die Aussproch fon S forrich P un T

No alemão padrão, a letra S, antes das letras P e T, no início de uma palavra, é pronunciada /ʃ/, da mesma maneira que o trígrafo SCH: Straße /ˈʃtraːsə/, spät /ʃpeːt/, etc. O mesmo ocorre no hunsriqueano riograndense: Stros /ʃtɾoːs/, sped /ʃpeːt/.
A diferença é que no hunsriqueano riograndense esta pronúncia ocorre também nas sequências ST e SP no interior e final das palavras. Portanto, palavras em alemão padrão como bist /bɪst/, fest /fɛst/, Wespe /ˈvespə/ são em hunsriqueano riograndense bist /piʃt/, fest /feʃt/, Wesp /veʃp/.

A terminação da terceira pessoa do singular dos verbos – Die Ennung fom dritte Person Singular fon de Verrbe

No alemão padrão, a terminação que marca a conjugação da terceira pessoa do singular (e da segunda pessoa do plural) no presente é -t: er geht (ele vai), sie macht (ela faz), ihr lest (vocês leem). No hunsriqueano riograndense a pronúncia é a mesma, mas quando sujeito e verbo são invertidos, o mesmo processo de lenição ocorre:
Alemão padrão: geht er? (ele vai?)
Hunsriqueano riograndense: gehr-er? (ele vai?)
Além disso, a letra S nunca é pronunciada /ʃ/ antes dessa terminação. (Vocês) leem é pronunciado /leːst/ e não /leːʃt/.
Baseado nestes dois aspectos, fica evidente que para o hunsriqueano riograndense a consoante final desta conjugação é na verdade um D e não um T. Assim, a ortografia é gehd, machd, lesd.
A terminação da segunda pessoa do singular, que é -st em alemão padrão, permanece -st em hunsriqueano riograndense, visto que neste caso o S sempre é pronunciado /ʃ/. Como exemplo, veja a conjugação em hunsriqueano riograndense do verbo lesen (ler).
ich lese /iç ˈleːsə/
du lest /tu leːʃt/
äer lesd /ˈɛːa leːst/
meer lese /ˈmeːa ˈleːsə/
deer lesd /ˈteːa leːst/
sie lese /siː ˈleːsə/

Explicação etimológica para o uso de D, B, G ou T, P, K – Ëtimologische Auslehung iwer die Benutzung fon B, D, G ore T, P, K

Em outras situações, especialmente no início das palavras, quando seguidos por outra consoante, o uso de D, B e G ou T, P e K tentam refletir a etimologia destes termos. Portanto grien (verde) e krien (ganhar, conseguir), apesar de pronunciados igualmente, possuem diferentes ortografias por sua origem. Compare as versões em alemão padrão grün e kriegen.
Muitos termos que em alemão padrão iniciam em TR, como trinken (beber) e träumen (sonhar) são escritos com DR em hunsriqueano riograndense: drinke, dreime. Isso reflete a segunda fase da mutação consonantal do alto alemão, já que a transformação de D em T não ocorreu em hunsriqueano riograndense em posição inicial.

A ausência de G em posição não-inicial – Das Fehle fon nett-aanfänglichem G

Novamente considerando a mutação consonantal do alto alemão, já sabemos que o fonema ancestral /ɣ/ foi convertido inteiramente em /g/ no alemão padrão. No hunsriqueano riograndense isso aconteceu apenas no início das palavras. Em outras situações ele se manteve /ɣ/ e posteriormente desapareceu por completo (compare alemão tragen, sagen, fragen, regnen e hunsriqueano draan, saan, frohe, rehne) ou ensurdeceu, tornando-se /x/ ou /ç/ e portanto indistinto da consoante representada em alemão por CH (compare alemão weg, Tag, Vogel, Spiegel e hunsriqueano wech, Daagh, Foghel, Spieghel). Assim, todos os casos de palavras terminadas com a consoante /-k/ refletem um /k/ ancestral e jamais sofrem lenição. Portanto G jamais ocorre após uma vogal (exceto no dígrafo GH).

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*Lënizionprocess, de Lënizion (adaptação de Lenição) + Process (processo)

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